Via Andes-SN

No dia 29 de abril de 2015, servidoras e servidores públicos do Paraná que reivindicavam seus direitos no Centro Cívico de Curitiba foram duramente reprimidos por policiais militares com cassetetes, balas de borracha, gás de pimenta e lacrimogêneo, sob as ordens do então governador Beto Richa (PSDB) e do secretário de Segurança Pública à época, Fernando Francischini. Mais de 200 pessoas ficaram feridas na ocasião. O episódio ficou conhecido como o “Massacre do Centro Cívico”.

Foto: Sinduepg SSind. / Luana Nascimento

Desde então, todos os anos o funcionalismo público protestam no mesmo local para rememorar essa data e dar um basta na violência do Estado e criminalização da luta. Este ano, a manifestação reuniu aproximadamente 8 mil pessoas de várias cidades do interior, da capital e região metropolitana. Diversos atos ocorreram também no interior do estado, como nos municípios onde estão localizadas algumas das universidades estaduais do Paraná. 

Na última sexta (29), professoras e professores das estaduais paranaenses paralisaram as atividades.  Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), a comunidade acadêmica se reuniu no restaurante universitário para debater sobre a economia brasileira, os impactos da Lei Geral das Universidades (LGU) na UEM, a data-base e as perdas salariais das servidoras e dos servidores da universidade. Docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) também realizaram ações de mobilização e conscientização no campus durante a tarde e noite. Em Apucarana, docentes da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) participaram do debate “Perdas salariais e a construção da greve unificada dos servidores públicos”. Já na Universidade Estadual de Ponta Grossa (Uepg), foi realizado um debate pela internet, com o intuito de “descomemorar” a violência policial do 29 de abril de 2015 .

Foto: Adunioeste SSind.

Docentes da UEM, UEL, Unespar, Uepg, e, ainda, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), da Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro ) também se deslocaram para a capital do estado para participar do protesto em frente ao Centro Cívico de Curitiba, junto com demais categorias do funcionalismo estadual.

Além de relembrar os sete anos da violência sofrida, as servidoras e os servidores chamaram atenção para o arrocho salarial.  A defasagem em relação à inflação deve ultrapassar 36% em maio – mês da data base – segundo cálculo da assessoria econômica do Fórum das Entidades Sindicais (FES). Com isso, a dívida do governo com o funcionalismo já chega a 9,4 bilhões de reais. Com isso, as e os manifestantes exigiram a reposição integral das perdas salariais, a revogação da LGU que ameaça a autonomia universitária, e ainda a defesa do serviço público, dos direitos das servidoras e dos servidores públicos e da autonomia universitária.

Foto: Sinduepg SSind. / Luana Nascimento

Reunião
A pressão das servidoras e servidores mostrou resultados. Na manhã de segunda-feira (2), o secretário de Administração e Previdência (Seap), Elisandro Frigo, juntamente com técnicas e técnicos da pasta e da Casa Civil, recebeu a coordenação do FES para ouvir as reivindicações. Como resultado do encontro, foi definido que haverá a formação de uma mesa de negociação composta por representantes da Seap, Casa Civil, Secretaria da Fazenda e FES para negociar a principal reivindicação do funcionalismo público, a data base.

Com informações do Fórum das Entidades Sindicais e seções sindicais do ANDES-SN

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