Desde a oficialização pela ONU, no ano de 1975, no dia 08 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. No entanto, este marco histórico da modernidade, o qual as mulheres ganharam a vida pública, até então lhes negada em sua plenitude, só veio confirmar que antes as mulheres eram apagadas da História, por questões religiosas, políticas e sociais. Porém, a História nos mostra que, por meio de documentos e documentações, as mulheres tiveram participação efetiva na sociedade na qual viveram, seja quando ganharam um certo status com a ascensão da burguesia ao serem vistas como mães e não mais um ninguém social, seja quando os documentos históricos revelam mulheres cientistas que abriram portas na sociedade para nós mulheres de hoje. Um dos documentos históricos que nos chegam sobre a participação da mulher na sociedade enquanto cientista, como era entendida outrora, ou seja, tendo a filosofia como linha mestra de todo conhecimento, como o estudo que não separava o que se toma hoje como exatas, humanas e biológicas, é de Hipátia de Alexandria.

Do Egito Romano, 315 dC, século IV. Foi a primeira mulher documentada como tendo sido matemática. Chefe da escola neoplatônica lecionou, também, filosofia e astronomia, além de ter estudado religião, poesia e artes. Há documentos que atribuem a certas frases como sendo de Hipátia, tais como:
«Governar acorrentando a mente por medo ou medo de punição em outro mundo é tão básico quanto usar a força.»
“Defenda seu direito de pensar, porque até pensar errado é melhor do que não pensar.”
«Todas as religiões formais são falaciosas e não devem ser aceitas por respeito a si mesmo.»
“Compreender as coisas que nos cercam é a melhor preparação para entender as coisas além.”
Estas frases ilustram bem os posicionamentos de Hipátia na sociedade na qual vivia e atuava efetivamente. Também, conta-nos a História que Hipátia ganhou muitos inimigos por sua capacidade de agir e de pensar e teve uma morte trágica. “De acordo com a única fonte contemporânea, Hipátia foi assassinada por uma multidão de cristãos depois de ser acusada de exacerbar um conflito entre duas figuras proeminentes em Alexandria: o governador Orestes e o bispo de Alexandria, Cirilo de Alexandria”. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%A1tia). Este ato trágico de sua morte, só demonstra que há tempos se tira da mulher seu direito de existir e de pensar.
O que podemos dizer diante desta figura feminina, do século IV, de enorme magnitude, vista mesmo por estas poucas frases que elencamos para demonstrar sua capacidade intelectual, política e social, é que ela, mesmo vivendo na sociedade de sua época, em que os chamados expoentes intelectuais restringiam-se a figuras masculinas, as quais reverberam até nossos dias, se deu ao direito de existir e de pensar, deixando um legado para nós mulheres de hoje: Temos o direito de existir, temos o direito de pensar e de sermos quem quisermos ser. TODAS NÓS PODEMOS! E a luta continua…

