15 de maio, às 9h30 no Auditório da Aduem
Os professores temporariamente contratados no mês de abril para ministrar as aulas do ano letivo de 2019 se depararam com a absurda e inescrupulosa exigência: o trabalho sem remuneração! O governo/instituição exige a reposição das horas referente ao mês de março, anterior ao contrato.
Para além disso, as condições de trabalho as quais estamos submetidos estão nos adoecendo física e psicologicamente:
- carga horária estafante em sala de aula, além de diversos obstáculo burocráticos que inviabilizam a inserção no campo da Pesquisa e da Extensão (deterioração do tripé);
- desrespeito aos acordos trabalhistas;
- alta exigência de esforço intelectual sem garantia de reconhecimento devido a instabilidade dos contratos;
- ausência de plano de carreira;
- sem previsão de concursos para efetivação, etc.
Há cursos funcionando sem nenhum docente efetivo, como é o caso da graduação em Engenharia Elétrica, 30% do quadro docente da UEM é composto por professores temporários, sem que isso represente uma justificativa econômica, considerando que os custos de um professor efetivo e de um temporário se equivalem.
Tudo isso somado àquilo que o afeta comumente os demais professores e agentes universitários nos pede umas resposta organizativa urgente.
Desde 2016 o governo não cumpre os acordos de reposição, acumulando 16,24% de perdas da inflação sobre os salários. Da mesma época temos sofrido, ano a ano, o crescente enxugamento orçamentário. E não é por nenhuma crise ou por falta de dinheiro que estamos assim. De acordo com dados do acompanhamento da evolução da arrecadação, o governo, propositalmente, tem feito estimativas de redução da arrecadação na hora de elaborar o orçamento, mas, todos os anos essas estimativas não se confirmaram. Pelo contrário! Em 2017, a diferença entre o previsto e o arrecadado foi de 3 bilhões de reais a mais. Em 2018, a previsão é de que haveria também uma diferença de no mínimo 1,5 bilhões a mais. Ao confrontar a receita efetivamente realizada pelo governo, constata-se que esses limites estão longe de serem atingidos mesmo que se reponham as perdas.
Diante destes dados, a conclusão evidente é que temos um projeto de Universidade se concretizando. E ele a reduz (na melhor das hipóteses) a mera formadora de mão de obra. Sabemos, portanto, que não se trata de uma situação pontual. O conjunto desses dados expressa o conflito entre distintos projetos de sociedade/educação/ciência.
O único meio de respondermos a essa e as demais arbitrariedades é explicitando e lutando, de maneira organizada, para implementação do nosso projeto de Universidade. Que projeto de Universidade que queremos? Qual seria a Universidade necessária para planos que temos para o Brasil?

