Por Carlos Henrique Ferreira Magalhães

Um dos colunistas do jornal burguês hoje tenta contar a história dos vencedores. Ao omitir fatos torna a sua análise falsa. Observa a disputa de poder que existe entre classes sociais distintas e faz com que a narrativa diferente da sua seja considerada algo estapafúrdio ou teoria da conspiração.

Sua narrativa no artigo se desenvolve até apresentar sua tese: aqueles que defendem que o marreco-juiz ao prender Lula em 2018 o fez para impedir que derrotasse Bolsonaro, constitui-se numa ideia estapafúrdia, ou seja,  sem lógica sem coerência. Pois bem meus camaradas, se a história é a luta de classes e se ela se repete como farsa ou tragédia, lembremos de alguns fatos que nos fazem elaborar hipóteses as quais são coerentes e consistentes. Há cerca de 150 anos, quando a classe trabalhadora de Paris expulsou a burguesia dessa cidade, realizando, por cerca de 70 dias, uma experiência política de poder com os trabalhadores livremente associados, a burguesia francesa é acolhida pela burguesia alemã e essa dispôs seu exército para assassinar toda a classe trabalhadora de Paris que teve a “audácia” de tomar o poder político. Aqui no Brasil, o golpe empresarial-militar de 1964 foi organizado e liderado pelo embaixador Gordon dos Estados Unidos, o qual comunicava ao então presidente John Kennedy tudo o que estava acontecendo no Brasil. Em 2014, mesmo o Partido dos Trabalhadores não sendo uma ameaça para o capital, a burguesia nacional apostou suas fichas no seu representante Aécio Neves (PSDB) para que esse pudesse executar as Reformas que o vice-traidor Temer (PMDB) realizou, a Reforma Trabalhista, e preparando o terreno para a futura Reforma da Previdência e Administrativa,  num governo neoliberal do Presidente-Genocida Bolsonaro (antes PSL – ultradireita – e agora sem partido). Neste governo, o Capital vem apresentando queda nas suas taxas de lucro, o que exige retirar os direitos trabalhistas e reduzir o investimento social do Estado, a fim de que o orçamento público seja direcionado para o pagamento dos juros da dívida interna aumentando a liquidez do capital financeiro, pois que a redução dos direitos trabalhistas diminuem a queda da taxa de lucro do Capital.

Vemos que Moro e Bolsonaro não precisavam se conhecer para articular um projeto comum que era liquidar com a possibilidade de um quinto governo sem a hegemonia plena do Capital.

O ex-Presidente Lula é uma liderança política inquestionável, que fez concessões ao capital financeiro, nos seus governos, e não promoveu nenhuma ação política para combater a relação social capitalista. Seu discurso em São Bernardo do Campo, após o STF ter iniciado os julgamentos para anular as suas sentenças e logo a seguir apresentar o marreco-juiz-Moro como suspeito nas investigações, são fatos que nos fazem realmente crer que Lula foi retirado pela judicialização da política. As conversas do ex-Presidente Lula com a Presidenta Dilma sendo divulgadas na imprensa, sua condução coercitiva filmada com toda pirotecnia possível para montar o espetáculo, as provas elaboradas pelo ex-juiz-marreco Moro orientando o promotor Dallangnol em um processo que se move rapidamente para executar a sentença.

 Portanto, são inúmeros fatos para afirmar que estapafúrdio é o nosso colunista do jornal burguês que produz omissões para falsificar sua análise, não porque não conheça e enxergue todos estes fatos, mas porque não pode considerá-los, pois isso desmontaria a sua opinião, a qual atende os seus chefes, os detentores de poder político e do capital.

Maringá 11 de maio de 2021.

Twitter: @henryferrer2030

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