
Carlos Henrique Ferreira Magalhães

No dia 19 de junho de 2021, em Maringá-PR e mais de 450 cidades no Brasil, tivemos mais de 750 mil brasileiros e brasileiras nas ruas exigindo #ForaBolsonaroeMourão. Vacina no braço, comida no prato e emprego foram as palavras de ordem em todo o Brasil num dia trágico que alcançamos meio milhão de mortes pela Covid-19.
Nos 138 anos de República talvez nunca tenhamos atingido um patamar tão desumano nas condições de vida da classe trabalhadora. O anjo da morte Bolsonaro, em junho de 2020, cometeu homicídio doloso contra 50 mil brasileiros que perderam suas vidas para a Covid-19. Agora, em junho de 2021, são 500 mil mortos cuja responsabilidade é do genocida-presidente Bolsonaro. Esse anjo da morte boicotou o afastamento social, boicotou o uso de máscara, boicotou o lockdown, debochou de uma pandemia grave designando-a de gripezinha e deixou de comprar mais de 170 mil doses de vacinas da Pfizer e da Sinovac, o que teria possibilitado a vacinação de nossa população desde dezembro de 2020; e, hoje, ao invés de termos 11% da população vacinada com as duas doses poderíamos estar em outro patamar, com 30% da população vacinada com duas doses, e estaríamos com menos 200 mil mortes nos dias atuais.
No meio dessa tragédia social temos um aumento do PIB e um aumento dos desempregados. O PIB aumenta com a exportação de soja, que se expande em terras florestais queimadas, minérios de ferro e madeiras ilegais, todos cotados em dólar aumentando a quantidade de bilionários brasileiros. Enquanto isso, o mercado nacional acumula o fechamento da Ford e uma centena de empresas que auxiliam na montagem de carros, além de termos uma série de indústrias e pequenos comerciantes indo à falência. A burguesia nacional financeira e do agronegócio decidiu se incluir no mercado internacional com um Brasil no capitalismo dependente. Dessa forma, não importa que tenhamos 20, 30, 40 ou 50 milhões de desempregados, porque o mercado internacional atende o acúmulo de capital da burguesia financeira e agrária no Brasil. Nunca tivemos um patamar tão alto de desempregados com tendência de aumento, além do trabalho precarizado, informal e sem direitos trabalhistas. É um patamar trágico.
Quanto à comida no prato é desolador. Triste saber que temos cerca de 50 milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade alimentar. Temos 70 milhões de brasileiros hoje que recebem menos de R$ 70,00 reais por mês, situação inaceitável.
Tudo isso mostra que todos os problemas sociais que se acentuaram no país, desde o Golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff, só serão resolvidos com uma política radical. A classe trabalhadora necessita de outro patamar para fazer política. Não existe possibilidade de negociar com a burguesia agrária e financeira do país. Necessitamos permanecer nas ruas e intensificar nossas lutas em prol de uma sociedade que supere a exploração do homem pelo homem no trabalho. Necessitamos superar a democracia burguesa que na iminência de perder sua possibilidade de acúmulo de capital aplica um golpe como o fez em 1964 e 2016. Necessitamos de um outro patamar de democracia. Necessitamos da democracia socialista. Necessitamos de reforma agrária. Necessitamos criar um imposto sobre a riqueza acumulada na forma de capital. Necessitamos estatizar os bancos. Só assim vamos acabar com 20 milhões de desempregados; só assim vamos acabar com 70 milhões de brasileiros que recebem menos de R$70,00 reais por mês. Enfim, só acabando com o acúmulo de capital desta toada avassaladora que gera e gere a miséria teremos uma relação social e uma sociedade em outro patamar.
Twiter: henryferrer2030 Maringá, 22 de junho de 2021


