
Por Thiago Fanelli Ferraiol
A LGU já enterrou a autonomia universitária — isso nós sabemos. Mas, para controlar de fato a universidade, não basta uma lei: são necessários outros instrumentos políticos e administrativos que operem esse controle no cotidiano.
Um desses instrumentos é o sistema Meta4, adquirido pelo Estado do Paraná no governo Beto Richa. Trata-se de uma ferramenta de controle da folha de pagamento que, na prática, serve para impedir progressões na carreira, limitar o pagamento de indenizações e benefícios, barrar a implementação de licenças e submeter a vida funcional dos servidores a uma lógica centralizada e autoritária.
Além disso, o Meta4 se configura como uma clara ação antissindical, ao dificultar — e em alguns casos impedir — o desconto em folha das contribuições sindicais, um mecanismo histórico de organização e sustentação da luta coletiva dos trabalhadores.
Desde a sua imposição, as universidades estaduais resistiram de forma categórica a esse sistema, com deliberações dos Conselhos Universitários e uma postura firme da gestão da época, incluindo o então reitor Mauro Besso (veja o vídeo de 2017). Chegamos, inclusive, a enfrentar atrasos nos pagamentos como consequência dessa resistência.
Mas o que vemos agora? A própria gestão da UEM — cuja reitoria, em campanha, afirmava que defenderia a autonomia universitária e enfrentaria a intervenção política do governo — mobiliza suas energias para implementar o Meta4. O pró-reitor de Recursos Humanos, ex-sindicalista que participou ativamente da luta contra esse sistema no passado, hoje se esquiva da responsabilidade de defender a autonomia universitária e executa, sem constrangimento, essa profunda intervenção do governo.
A tão propalada “coragem para mudar” era, afinal, coragem para mudar de lado? Para abandonar a defesa da universidade e passar a operar os interesses do governo?
Trata-se de um completo disparate. Uma postura vergonhosa, que em tempos de sindicalismo combativo chamava-se de pelegagem!
Quem ganha com isso?
Certamente não a comunidade universitária. Muito menos o povo, que precisa de uma universidade pública forte, crítica e autônoma — condição indispensável para a construção de um projeto soberano e popular para este país.
Que a comunidade universitária — por meio de seus conselhos, departamentos e demais instâncias de discussão e representação — debata coletivamente e reafirme a luta intransigente pela autonomia universitária; que cobre coerência entre as posições assumidas pela reitoria durante a campanha e as práticas efetivamente adotadas na gestão; e que se comprometa, de forma concreta, com a construção de uma universidade pública, gratuita e de qualidade, com plenas condições de acesso e permanência, orientada a servir, de fato, aos interesses populares, isto é, aos interesses da classe trabalhadora.
- Não à LGU!
- Não ao Meta4!
- Em defesa da autonomia universitária!
- Pela construção de um universidade popular!

