Em decisão apertada, a assembleia da Sesduem deliberou pela suspensão da greve docente por 30 dias na UEM. A greve também foi suspensa na UEPG, Unioeste e Unicentro. Já os docentes da UEL, UENP e Unespar decidiram pela continuidade da greve.
A pauta principal do movimento docente segue sendo a recomposição do valor dos salários, que estão há 7 anos sendo rebaixados e hoje acumulam uma defasagem de mais de 42% por causa da inflação. As formas de fazer a luta são debatidas, avaliadas e deliberadas nas diversas assembleias, e devem ser construídas cotidianamente com a participação dos docentes.
As avaliações daqueles que decidiram suspender a greve se deram em torno do avanço da proposta do plano de carreira para a Casa Civil. Essa informação foi dada pelo governo aos reitores no dia 01 de junho. O Comando Estadual de Greve confirmou a informação em reunião com os reitores, em 02 de junho, e em conversa com o deputado Hussein Bakri, líder do governo na ALEP, em 06 de junho.
Os docentes avaliaram que a proposta do plano de carreira traz elementos que podem ajudar na
recomposição dos salários. Há, nessa proposta, alteração do piso salarial em 14,46%, e do adicional de titulação em 20 pontos percentuais. Se aprovada na íntegra, essa proposta trará uma recomposição entre 27,18% (para doutores) e 29,23% (para mestres).
No entanto, é importante deixar bem claro que esta ainda NÃO É UMA PROPOSTA DO GOVERNO. Ela foi
encaminhada da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SETI) para a Secretaria de Administração e Previdência (SEAP), em 11 de abril, e lá ficou parada. Deputados da base do governo confirmaram que a alteração da carreira docente não seria pautada neste ano. Foi justamente a pressão do movimento grevista, em unidade com todas as universidades, que colocou essa proposta em cena e a levou para a Casa Civil.
Essa incerteza em relação à proposta, o fato do governo não anunciar nada além dos míseros 5,79% de reposição a partir de agosto, e a intransigência em não negociar com a categoria, levou muitos docentes a votarem pela continuidade da greve. Há também a indignação em relação ao não cumprimento da data-base, um direito constitucional de todos os trabalhadores.
Na assembleia da Sesduem, todas as posições foram amplamente debatidas. Houve também a avaliação da forma e da intensidade da greve na UEM, além dos relatos das demais universidades. Concluiu-se que a greve representa a retomada da organização dos docentes para a luta, construindo seus métodos e instrumentos próprios, de forma autônoma, sem se submeter às chantagens do governo. Precisamos seguir nesse caminho ampliando a participação docente nas atividades, enraizando e fortalecendo o movimento, tornando-o mais efetivo.
Na assembleia, foi unânime a posição de que diante de governos neoliberais e autoritários, que sucateiam os serviços públicos e que não dialogam com os trabalhadores, a greve é o instrumento justo, legítimo, que efetivamente coloca em pauta as discussões e pressiona o governo para a negociação. A suspensão da greve por 30 dias, portanto, não é o fim do movimento. Ao contrário, este foi o tempo decido para acompanhar a tramitação da proposta de carreira, buscar abrir a mesa de negociação
com o governo, e de ampliar a discussão interna sobre a necessidade de fortalecimento do movimento.
A mobilização na UEM precisa continuar, e a Sesduem convida todos os docentes a se juntarem às atividades e a se filiarem. Manifestamos ainda todo nosso respeito, solidariedade e apoio aos docentes das demais universidades pela decisão que tomaram, seja pela continuidade ou suspensão da greve. Entendemos que é fundamental o Comando Estadual de Greve indicar um caminho para a luta, mas que cada comando local deve fazer suas avaliações e somente as suas assembleias podem decidir.

