
Carlos Henrique Ferreira Magalhães
Os colunistas do jornal burguês tentam nos fazer crer que há um problema com os altos salários de militares e do poder judiciário no Estado brasileiro, o que exigiria uma Reforma Administrativa. Além disso, sugere que os salários e a precarização do trabalho da iniciativa privada devam ser o modelo para tal reforma a fim de enquadrar o servidor público sobre as regras do mercado.
Essa ideologia de que a iniciativa privada tem maior produtividade em relação ao serviço público é falsa. O Brasil possui alguma ciência e tecnologia em virtude dos investimentos do Estado. Toda a infraestrutura siderúrgica de energia, de comunicação, de ciência e tecnologia foi construída predominantemente no Governo de Getúlio Vargas (Petrobrás, Eletrobrás, Universidades Federais, Vale do Rio Doce, entre outras) e foram vendidas paulatinamente para a iniciativa privada pelo valor menor do que realmente valiam. O caso da Vale do Rio Doce é um exemplo do cinismo a respeito das privatizações. Seu preço, cerca de 4 bilhões vendidas à época na década de 1990, não representa 5% da quantidade de minérios que ela poderá extrair nos próximos 50 anos. A abertura de capital da Petrobrás na bolsa de Nova York foi outra medida de privatização da década de 1990, a qual permite que os acionistas minoritários, representantes do capital internacional, definam os diretores da Petrobrás e a sua política de preços para acompanhar o mercado internacional. Todavia nossos salários no Brasil não acompanham a mesma lógica.
A base econômica desse país foi executada com o investimento público. Os investimentos privados compram agora as empresas estatais que possuem lucro após cerca de 40 ou 50 anos de sua implantação. A iniciativa privada é modelo de exploração do capital contra a classe trabalhadora. A essência da iniciativa privada é a exploração do trabalho; é a produção do valor concentrado nas mãos da classe que compra a força de trabalho: a burguesia. Na verdade, não precisamos de uma Reforma Administrativa para cortar o acúmulo de dois salários que acontecem com militares da ativa que possuem o segundo salário como Ministros ou ASPONES. Basta se cumprir o teto salarial.
Pegar uma pequena parcela para generalizar que todo funcionalismo possui privilégio é uma falsificação da realidade. Executar a Reforma Administrativa é retirar a autonomia do Servidor Público para fazer as denúncias de desmatamento, trabalho escravo, sonegação fiscal, entre outros crimes que são cometidos pela iniciativa privada. O Servidor Público executa seu serviço em Instituições as quais predominantemente são controladas pelo capital. Vide o Congresso Nacional, o qual possui representantes de latifundiários, banqueiros, e demais representantes do capital nacional e internacional. Executar a Reforma Administrativa é retirar uma das poucas contradições contra a ideologia dominante, a qual tem no Estado a garantia da sua reprodução.
Nesse momento, a primeira reforma que necessitamos é a retirada do genocida-presidente que possui uma política econômica voltada para o mercado externo, a qual visa a venda de minérios e soja, entre outras commodities, com o discurso de manter a balança comercial equilibrada, um possível aumento do PIB e um avassalador aumento do desemprego nacional, haja vista a desindustrialização que esse país vive. No entanto, retirar Bolsonaro é pouco. Além disso, faz-se necessário taxar as grandes fortunas, realizar a reforma agrária, acabar com a propriedade privada dos meios de produção. Essas são as transformações que a classe trabalhadora necessita. Acabar com esta democracia burguesa e objetivar uma democracia socialista, é o início de uma ação política para superar aqueles que sempre se beneficiaram, no mundo e no Brasil nos últimos 132 anos, os latifundiários e agora o capital internacional.
Twitter: @henryferrer2030 Maringá, 10 de junho de 2021


