
Por Thiago Fanelli Ferraiol
A destruição não é culpa da sociedade que não enxerga o que fazemos, nem do Brasil que escolheu um fascista como presidente! “Sociedade” e “Brasil” são genéricos demais para entendermos concretamente o problema. É preciso apontar objetivamente o movimento da formação econômica e política do país, compreender o caráter vira-latas da burguesia brasileira, capachos do imperialismo, e o oportunismo dos operadores políticos que se parasitam nas estruturas burocráticas do sistema, atualmente sob o véu de “gestores públicos”. Na prática, estão gerenciando o capital, calculando as migalhas do trabalhador, e servindo de escudo para a burguesia. É assim que funciona a sociedade capitalista em um país periférico!
A “sociedade” enxerga o que ela vive. E a bem da verdade é que a universidade no Brasil jamais esteve integrada ao povo trabalhador; jamais foi popular; jamais consolidou uma força política capaz de orientar o desenvolvimento nacional no sentido de uma soberania do país. Ela sequer conseguiu ser inclusiva, mesmo com políticas de cotas dos governos progressistas. O muito que fazemos nas universidades públicas ainda é uma migalha diante das tarefas de desenvolvimento econômico, social e cultural que o país carece. No Brasil, menos de 20% dos jovens tem acesso ao ensino superior. E das vagas no ensino superior, apenas 5% está nas universidades públicas. Se fizermos estratificações por tipo de curso e por faixas de renda daqueles que os frequentam, veremos que o povo está, em sua imensa maioria, fora da universidade pública. Isso ainda sem falar das enormes taxas de evasão e do avanço do EaD em substituição ao ensino presencial.
Diante da crise do capital, do processo de desindustrialização nacional, o que os governos reacionários fazem é tirar até mesmo a migalha da formação superior e da pesquisa! Não precisam mais de formação científica, pois tudo é importado. Aliás, a própria formação científica é atacada, dando espaço para todo tipo de obscurantismo. Brasil vai se configurando como a roça do mundo. Em termos de ensino, o máximo que essa burguesia vira-latas do Brasil quer oferecer para a classe trabalhadora é uma formação técnica (recheada de ideologia neoliberal) para que o capital continue seu ciclo reprodutivo no país.
Por isso, camaradas, nossa tarefa urgente é retornar às bases populares, organizar a classe trabalhadora a partir dos bairros, dos locais de trabalho, dos locais de estudo (mesmo que precários) promovendo uma formação política que aponte diretamente a necessidade de enfrentar o capital e os seus gestores, ou seja, a burguesia e seus operadores políticos. Devemos tomar de assalto os recursos públicos, orientando o desenvolvimento de uma outra universidade, que pense a participação popular e desenvolva pesquisas para resolver os problemas de nossa classe, a classe trabalhadora.
Esta universidade que temos, que durante muito tempo dourou as migalhas, está em franca decadência! É nossa tarefa histórica superá-la!

