Os docentes da UEM, reunidos em Assembléia Geral, ocorrida no dia 13 de janeiro, deliberaram por unanimidade por encaminhar à Reitoria um ofício solicitando que seja adiado em pelo menos 15 dias o retorno presencial às atividades letivas dos alunos matriculados a partir das segundas séries dos cursos de graduação da UEM, e que o CEP se reúna com urgência para reavaliar a resolução 032/2021-CEP.
Os docentes consideram que o atual cenário epidemiológico de 2022 é muito diferente do que tínhamos no final de 2021. O alto poder de transmissão da variante ômicron, o consequente aumento no número de ocupação de leitos de UTI Covid–19 em todo o país e a Epidemia simultânea de H3N2, altera significativamente o cenário exige a reavaliação das condições gerais de biossegurança para o retorno das aulas presenciais.
Conforme previsto no artigo 4º da resolução 032/2021-CEP “… o cenário epidemiológico deve ser atualizado quinzenalmente em boletim publicado pelo Grupo Técnico COVID-19, o qual deve atestar a fase da pandemia conforme a matriz de risco do Boletim Epidemiológico publicado pela Secretaria Municipal de Saúde do Município de Maringá, assim como os coeficientes…”
Contudo, não houve por parte do Grupo Técnico Covid-19 a divulgação de tal relatório. Em partes, isso se deve à falta de divulgação de boletins epidemiológicos detalhados pela prefeitura, o último foi divulgado em 4 de dezembro de 2021. No entanto, a contaminação nos últimos dias divulgados em boletins diários da prefeitura indica um aumento abrupto na transmissibilidade, com média de 600 casos nos últimos 3 dias, superando o número de casos dos piores momentos da pandemia até aqui. A taxa de reprodução da doença também está alta (embora não tenhamos dados oficiais da prefeitura). Os números calculados pelo ComplexLab (http://complex.pfi.uem.br/covid/) indicam uma taxa de mais de 2, a maior já registrada até o momento. Além disso, a UEM ainda não divulgou como está o estágio vacinal dos seus alunos, professores e servidores. Em matéria divulgada hoje pela RICtv a pró-reitora de Ensino indicou que a UEM recebeu cerca de 8 mil comprovantes dos estudantes. Esse número indica que mais da metade dos estudantes ainda não enviou o comprovante do ciclo vacinal completo (uma vez que a UEM tem mais de 17 mil estudantes). Caberá a cada docente, a cada aula, conferir junto aos alunos que não se manifestaram oficialmente a sua condição de vacinado? Como ficam os portadores de comorbidades que aumentam os riscos em caso de contaminação?
De acordo com a estimativa da Universidade de Washington, o Brasil pode atingir o pico de 1,3 milhões de infectados por dia pela variante Ômicron em meados de fevereiro. Os números oficiais (consórcio de veículos de imprensa) são de que o Brasil registrou 97,2 mil casos conhecidos de Covid em 1 dia e a média móvel passa de 60 mil. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +634%, indicando tendência de alta nos casos da doença. Também registrou 190 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando 620.609 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias é de 126. Em comparação à média de 14 dias atrás a variação foi de +29%, indicando tendência de alta nos óbitos.
Sabemos das imensas dificuldades que a UEM enfrentaria para fazer a sua retomada de aulas, mesmo em caso de normalidade, decorrente da falta de quadros docentes e agentes universitários, da política de deliberado sucateamento das Instituições de Ensino Superior pelos governos que se sucedem à frente do Estado do Paraná. As dificuldades, agravadas pela pandemia, seriam enfrentadas, mais uma vez, pelo esforço dos trabalhadores dessas instituições. O recrudescimento do quadro de pandemia, entretanto, potencializa os problemas que já existiam e coloca em risco a integridade física de todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, sejam docentes, agentes ou estudantes.
Como poderemos nos encontrar presencialmente sem sabermos: quantos de nós estamos contaminados, doentes com ou sem sintomas? O bom senso pede, nesta hora, uma reavaliação da situação, com a convocação das instâncias devidas, apresentação de dados pelas partes que, embora se oponham no entendimento que tenham da situação, convergem para a necessidade de ofertarmos aos nossos alunos o melhor ensino, aliadas à compreensão de que ainda vivemos um período de exceção onde nenhuma alternativa será do agrado de cada um de nós.
Brasil, 13 de janeiro

