Desde que se iniciou a pandemia em âmbito global, os grandes empresários do mundo se recusam a deixar de ganhar, já que eles nunca perdem, apenas diminuem os lucros. Se antes seus ganhos se davam em cima da exploração massiva dos trabalhadores pelo seu trabalho, agora, nesta época trágica que vive o país diante de mais de 400 mil mortes, se dão sobre a vida destes mesmos trabalhadores.
Esta lógica de mercado lança seus tentáculos na Educação pública, seja ela nacional, estadual ou municipal, pelo plano econômico de privatização das instituições públicas engendrado pelo ministro da economia, Paulo Guedes e seus governadores replicantes, como é o caso do governador do Paraná, Carlos Roberto Massa Júnior, o Ratinho Jr, de gestão com perfil totalmente empresarial com relação às instituições educacionais públicas do Paraná. Em sucessivos decretos tenta impor a volta às aulas, sem cumprir com as suas obrigações diante da população ao não providenciar as vacinas contra o COVID-19 em número suficiente e nem no tempo que deveriam ter sido providenciadas. Segundo dados estatísticos, a população do Paraná, que atualmente é de 11,08 milhões de pessoas, tem até o dia 10 de maio de 2021, o total de 1.935.399 vacinados que receberam a 1ª dose, o que equivale a 16,8% da população do estado das 47,02% de doses recebidas, sendo que apenas 1.056.140 pessoas receberam a 2ª dose (9,17%da população). Saiba mais.
Muitos podem dizer que há países em que a Educação do ensino fundamental e médio voltou e, de fato voltou, mas o processo de vacinação começou com maior agilidade de seus governantes nas compras e na aplicação da vacina na população, como podemos ver abaixo:

Este mapa, que apresenta o levantamento dos dados até o dia 10 de maio de 2021, deixa clara a situação que o Brasil se encontra no quesito vacinação e só está na frente da Índia porque, neste momento, este país vive um surto avassalador da doença.
Em reportagem sobre o Paraná, das duas mil escolas estaduais, 200 voltaram no início desta semana (10 de maio de 2021), sendo que foram “escolhidas” as do Oeste do Estado, com o argumento de números mais baixos de casos e mortes por Covid-19, como se números baixos de contaminados e mortes fossem apenas um detalhe, já que vidas não importam, mesmo que seja uma única vida.
Segundo este mesmo jornal, Feder, “garante que as escolas estão preparadas e que possuem álcool gel, máscaras e termômetros” e que “o orçamento é de R$100 milhões” e que “os recursos serão investidos em todas as regiões do Estado”. A APP contesta esta fala de Feder pelo fato deste investimento não cobrir todas as necessidades reais das escolas que vêm sendo sucateadas ao longo do tempo e, também, alerta que o governo do Paraná passou de 30% para 100% o limite de ocupação em sala de aula. Neste sentido, o retorno, às aulas presencias, no momento em que não há vacinação expressiva da população, nem no Brasil e nem no Estado, é inviável.
A revista Science, no dia 29 de abril de 2021, apresentou um estudo dizendo que o papel das escolas na transmissão do vírus tem sido controversa, mas segundo esta revista “Embora haja um consenso geral de que deveria abrir escolas com segurança com medidas de mitigação adequadas, há poucos dados e ainda menos acordo quanto ao nível de mitigação necessário” e que “mesmo que a transmissão nas salas de aula seja rara, as atividades relacionadas à escola presencial (o trajeto dos alunos, a interação entre professores e as não-mudanças de comportamento), podem levar a aumentos de transmissão na comunidade”. Saiba mais. Esta revista está tratando dos casos nos Estados Unidos, onde a vacinação da população está bem acelerada e que não tem tantas variantes do vírus da SARS-2 quanto o Brasil.
Não há negação e nem negacionismos da situação econômica diante deste quadro pandêmico em que vivemos no país e que ainda estaremos num futuro próximo POR FALTA DE VACINAÇÂO EM MASSA, porém enquanto não há, se estivermos vivos, teremos como recomeçar; mortos, não.
No entanto, diante destes dados apresentados, devemos nos perguntar: A quem está servindo a volta das aulas presenciais nas instituições públicas paranaenses SEM VACINAÇÂO EM MASSA? Quais são os interesses dos empresários da educação no Brasil e, mais especificamente, no Paraná? Eles se responsabilizariam pelas contaminações e mortes por Covid-19 no Estado?

