Por Carlos Henrique Ferreira Magalhães

Hoje nosso colunista do jornal burguês faz uma análise aparente do papel dos partidos ditos do centrão, nova designação para caracterizar a direita, como o PMDB, PP, PTB E PFL que desde a Constituição de 1988 implantaram uma relação do poder legislativo e o poder executivo com o favorecimento e sustentação deste poder quando o mesmo direciona as emendas parlamentares, para financiar os interesses particulares de Deputados Federais nas regiões que os mesmos possuem influência , seja para a compra de votos para eleger o Presidente da Câmara ou o Presidente do Senado. Esse é o sistema político de coalizão que favorece a corrupção, segundo o colunista.

Esse artigo, hoje, fez-me lembrar Caio Prado Junior, que nas suas críticas à esquerda na década de 1950 indicava o erro do PCB ter apoiado Juscelino Kubitschek. Não é de hoje que no Brasil temos um sistema político o qual as massas são alijadas de participação nas decisões do Estado, principalmente o financeiro, e todo e qualquer Presidente necessita ter o “apoio” do Congresso Nacional o qual é consolidado a partir dos interesses hegemônicos da burguesia nacional doutrinada pela burguesia internacional. Pois bem, nunca tivemos um sistema político que tivesse em vista pelo menos o bem comum, porque o Estado é governado para atender o bem particular da burguesia nacional, hoje predominantemente atrelada ao capital financeiro e latifundiário associado aos interesses do capital internacional. O Governo do ex-Presidente Juscelino foi um dos que promoveu o maior acúmulo de riqueza associado ao acúmulo de miséria. Não foi a partir da Constituição de 1988 que começamos a observar as relações para atender os interesses privados entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo. Todos os impechment que tivemos desde 1991 demostram que quando um Presidente perde a capacidade de votos no Congresso Nacional o mesmo cai. Lula e FHC são aqueles que conseguiram ter a competência “argumentativa” necessária p para se manterem no Poder. Ambos tiveram uma política monetária que permitiram uma alta rentabilidade para o capital financeiro. Mesma atitude que observamos de ex-Presidente Juscelino em relação ao capital industrial que na década de 1950 tinha crescimento no Brasil.

Nossas oligarquias sempre tiveram a prerrogativa de colocar e retirar Presidentes quando os mesmos não atendiam as suas necessidades para reproduzir e concentrar capital. A simples decisão de promover uma Reforma Agrária pelo ex-Presidente João Goulart, entre outras reformas de base, fez com que o mesmo fosse deposto com a servilidade do Congresso Nacional à época que não fez nenhuma resistência ao golpe empresarial-militar.

Desse modo, entendemos que o problema do nosso sistema político não está na representatividade do capital nos novos partidos da direita designados como centrão (DEM, PMDB, PP, PTB). O problema de nosso sistema político está na falta de um poder popular que dê sustentação à política de Governos e por consequência políticas de Estado que impeçam o acúmulo de capital, porque esse acúmulo é a origem de todos os problemas sociais, como o desemprego, a fome, a violência urbana , o analfabetismo, a falta de uma saúde pública digna para todos, a falta de moradia digna para todos, a falta de ética nas relações desumanizadas que esse sistema político desde 1889 acentua com a desigualdade social.

Maringá 12 de maio de 2021.

Twitter-@henryferrer2030

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