Um brasileiro que vem de uma classe social não abastada, porque sua mãe era servidora do Instituto de Resseguros do Brasil e o pai representante comercial de materiais escolares (www.infomoney.com.br ), o ministro da economia, Paulo Roberto Nunes Guedes, Paulo Guedes, declarou a semana passada que o Fies (programa federal para estudantes de baixa renda) “é bolsa para todo mundo” e “um desastre” ao contar, anedoticamente, que o filho de um porteiro tirou zero na prova e conseguiu financiamento” (G1, 30/04/2021).
Assim como o presidente da república, Jair Bolsonaro, o ministro usa do deboche em situações gravíssimas pela qual passa a sociedade brasileira para negar o caos que tanto um quanto o outro colocaram nossa sociedade. Na declaração do dia 30 de abril, debochando do filho de um porteiro, o “digníssimo” ministro diminuiu e desmereceu a classe social da qual ele veio, produzindo comentários mentirosos para a população, práticas constantes de muitos políticos aliados a Bolsonaro, com o objetivo claro de desinformá-la e confundi-la, já que o FIES é um financiamento do Ministério da Educação – MEC, com taxas de juros de 6,5% ao ano, para o ensino superior em faculdades privadas com critérios específicos de avaliação.
Além disso, o atual ministro da economia, Paulo Guedes, que usufruiu dos estudos em universidade pública (UFMG) em sua graduação, que teve bolsa do CNPq, um auxílio da FGV e da Universidade de Chicago para realizar seu doutorado nos Estados Unidos(www.infomoney.com.br ), ao fazer esta declaração NEGA insistentemente a história de lutas no Brasil pelos direitos sociais e NEGA a sua própria história ao tirar dos estudantes seus direitos, direitos que ele teve, principalmente daqueles que, assim como ele, vieram de situação econômica menos afortunada.
Em ataques contínuos aos servidores públicos, na reportagem do dia 29 de abril de 2021, o ministro da economia alega que a crise na Educação se deve às universidades: “A universidade ensina Paulo Freire e sexo para crianças de cinco anos” e completa dizendo “que há maconha e bebida nas unidades de ensino mantidas pelo governo”. (www.diariodocentrodomundo.com.br). Esta fala nos causa estranhamento quando um ministro da economia, que usufruiu da universidade pública e de financiamento de órgão de fomento público, e que não é da educação, vem dizer o que as universidades ensinam sem ter o mínimo conhecimento do que sejam o método Paulo Freire e a pluralidade de pilares intelectuais que constituem os cursos de Ciências Sociais e Humanas. Outrossim, mostra o desconhecimento das regras atuais que regem as universidades públicas quanto a bebidas alcoólicas e alucinógenos, em geral, dentro da instituição.
Diante destes e de outros fatos, podemos dizer que estes jogos de negação e negacionismos são estratégias contínuas de ataque aos direitos da população, direitos previstos na Constituição, estratégias estas que vêm com declarações (fake news) que estão a serviço da desmoralização dos profissionais da educação e da saúde públicas para justificar “a granada no bolso do servidor público”, com o objetivo nefasto de cumprir a agenda de seu programa econômico: herança dos Chicago Boys, ultraliberais (ou capitalistas de alto risco), a privatização das instituições públicas.

