
Texto por: Prof. Thiago Fanelli Ferraiol
O apagão na UEM não é fruto do acaso. Ele é o resultado de uma longa política de sucateamento da universidade pública, agora conduzida com total e irrestrita colaboração da reitoria e de muitos que se alinham aos seus interesses.
Mas o apagão não é apenas de energia elétrica.
Vivemos também um apagão de professores, de servidores, de estudantes. Quando faltam investimentos e condições dignas de trabalho, pesquisa e estudo, apagam-se as possibilidades de desenvolvimento social e coletivo. A luz que resta é desviada para pequenos grupos que buscam capturar a universidade, submetendo-a aos interesses do capital.
Nossos salários, por exemplo, já estão 47% apagados. E diante disso, as principais lideranças da instituição se mantêm em silêncio. Preferem cultivar uma imagem de boas figuras perante os poderosos, buscando garantir algum feixe de luz para seus projetos pessoais, uma função gratificada aqui, o controle de recursos escassos ali.
A autonomia universitária também está sendo apagada. A Lei Geral das Universidades (LGU), os sistemas de controle como o Meta4, e as infinitas barreiras burocráticas ao uso do dinheiro público são apresentados como instrumentos de transparência. Na prática, porém, obscurecem a gestão, enterram a autonomia e nos deixam sem clareza, sem direção — no escuro.
Como alertava o velho barbudo, é preciso distinguir entre aparência e essência. O discurso iluminista que diz promover razão e progresso, na verdade, lança luz apenas sobre os feitos das elites, mantendo a classe trabalhadora nas sombras.
É nesse contexto que a atual administração da UEM se mostra subserviente ao governo do Estado. Exibe holofotes sobre poucas realizações, enquanto empurra a precarização para trás das cortinas, onde a luz não alcança. A crítica é abafada com discursos demagógicos, e o desmonte segue protegido sob a penumbra da omissão institucional.
Esse apagão também alcança a mobilização da comunidade. Durante anos, nos prometeram uma luz no fim do túnel. Corremos, trabalhamos além do tempo, adoecemos, acreditando que aquela luz pudesse nos iluminar. Mas era apenas ilusão — um clarão falso que nos manteve em movimento, mas não nos levou à saída.
Hoje, a única luz real que podemos acender vem da nossa própria organização enquanto classe trabalhadora. É nela que está a energia necessária para defender salários, reconquistar condições dignas de trabalho e garantir a autonomia universitária. É essa luz que pode sustentar um ensino público de qualidade, comprometido com a transformação da sociedade.
Chega de ilusões! Queremos luz para todos — e não apenas para os holofotes.



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